Inclusão de agricultores e indígenas marca primeira Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU

A primeira Cúpula de Sistemas Alimentares realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) se encerrou nesta sexta-feira (24/9) mostrando que é preciso revisar a forma como o acesso ao alimento está distribuído ao redor do mundo.

Até o momento, 148 compromissos foram registrados, como resultado de um processo inclusivo e engajado de 18 meses com diversas partes interessadas. Durante as apresentações, agricultores, mulheres, jovens e grupos indígenas discutiram prioridades, necessidades e lacunas para sistemas alimentares mais saudáveis e justos.

O processo da Cúpula também foi aplaudido por líderes de agricultores, a exemplo do que disse Elizabeth Nsimadala, presidente das Organizações Pan-Africanas de Agricultores (PAFO), que representa 80 milhões de trabalhadores em 50 países africanos. “Como produtores, mantivemos vários diálogos independentes em todos os níveis e esses diálogos resultaram em uma posição comum global.”

Representando o Brasil, a ministra da Agricultura Tereza Cristina anunciou a construção de a Coalizão sobre Crescimento Sustentável da Produtividade em parceria com o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Tom Vilsack.

De acordo com o Departamento de Agricultura do país norte-americano, “a coalizão global e multissetorial irá acelerar a transição para sistemas alimentares mais sustentáveis ​​por meio do crescimento da produtividade agrícola que otimiza as dimensões social, econômica e ambiental da sustentabilidade”.

Com base no último relatório do IPCC, a administração dos Estados Unidos também prometeu US$ 10 bilhões em cinco anos para enfrentar as mudanças climáticas e ajudar a alimentar os mais vulneráveis sem esgotar os recursos naturais.

“Devemos usar o poder da engenhosidade para melhorar os sistemas alimentares de forma que forneçam alimentos seguros, nutritivos, acessíveis e acessíveis para todos, ao mesmo tempo que conservamos os recursos naturais e combatemos a crise climática”, disse Vilsack.

Na quinta-feira (23/9), o presidente do Banco Mundial, David Malpass, enfatizou que “um financiamento mais inteligente de alimentos, junto com conhecimento científico e vontade política, pode ser uma grande virada de jogo”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou a Cúpula por “injetar nova vida no multilateralismo” e por “liderar o caminho para sistemas alimentares que podem impulsionar a recuperação global de três maneiras fundamentais: para pessoas, o planeta e para a prosperidade”.

Em paralelo ao engajamento dos chefes de Estado, Guterres encorajou a participação de agricultores familiares, povos indígenas, mulheres e jovens. “Vamos aprender uns com os outros – e ser inspirados uns pelos outros – enquanto trabalhamos juntos para alcançar os ODS”, disse ao se referir aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Da redação com a Globo Rural

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