Recebimento de cacau pelas indústrias tem queda

As empresas reunidas na Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) receberam dos produtores brasileiros de cacau 30.271 toneladas de amêndoas em julho, um resultado 1,98% menor que no mesmo mês de 2020, quando foram entregues 30.883 toneladas. Em sete meses, o recebimento foi de 112.687 toneladas, uma queda de 2,08% em relação ao mesmo período do ano passado, cuja produção foi de 115.087 toneladas.

Apesar dessa queda no recebimento nacional, a demanda da indústria segue em alta. As associadas moeram em julho deste ano 20.042 toneladas, uma alta de 10,24% na comparação com julho do ano passado. De janeiro a julho, o processamento cresceu 10,30%, passando de 118.689 toneladas no ano passado para 130.914 toneladas neste ano.

Com a queda no recebimento nacional, a indústria precisou elevar as importações de amêndoas para atender os clientes estrangeiros. As compras de cacau no exterior em julho chegaram a 2.002 toneladas, somando no ano um total de 40.007 toneladas, uma alta de 73,76% em relação às 23.023 toneladas obtidas no mesmo período do ano passado.

No entanto, ao analisar os dados, é preciso levar em conta que em 2020 não só o setor cacaueiro, mas a economia global, sofreu fortes impactos com a pandemia da Covid-19, que causou fechamentos do comércio e resultou em grande retração no consumo, especialmente em bares e restaurantes. Já neste ano, o cenário é um pouco diferente. “O avanço da vacinação contra a COVID-19 e o processo de reabertura dos países gerou uma retomada da demanda por derivados em comparação à 2020, quando houve retração no consumo e queda nos pedidos”, pondera Anna Paula Losi, diretora-executiva da AIPC.

Como as importações de cacau têm o objetivo de atender à venda de derivados no mercado externo, as amêndoas são importadas pelo regime de drawback, o qual possibilita a importação de insumos industriais com suspensão de tributos para que a indústria nacional seja mais competitiva no mercado internacional e não exporte tributos. Embora as exportações de derivados de cacau tenham caído 10,37% em julho para 3.578 toneladas, nos primeiros sete meses do ano houve alta de 7,90%, evoluindo de 27.970 toneladas em 2020 para 30.182 toneladas em 2021. Em julho, os principais países compradores de derivados de cacau brasileiro foram a Argentina (51,42%), o Chile (24,40%) e os Estados Unidos (10,62%).

Recebimento por estado

Em julho, o recebimento de cacau nacional pelas indústrias foi liderado pela Bahia, com 19.989 toneladas, um aumento de 1,90% em relação a julho de 2020. No acumulado do ano, o volume da Bahia cresceu 33,82%, passando de 59.372 toneladas para 79.453 toneladas neste ano. O recebimento de amêndoas do Pará no mesmo período ficou em 9.478 toneladas, uma queda de 12,46% em relação ao mesmo mês do ano passado. E, no acumulado do ano, o recebimento total do estado foi de 29.886 toneladas, uma queda de 42,80% em relação às 52.254 toneladas produzidas nos primeiros sete meses do ano passado.

Essa queda na produção de amêndoas na Bahia e no Pará se deve principalmente às oscilações climáticas que afetaram o desempenho da safra principal, que terminou em abril. A safra temporã, que teve início em maio, apresentava perspectivas melhores, mas ao analisar os dados já é possível notar que os números deverão ficar aquém do esperado. Além disso, no mês de julho o setor entrou em alerta por causa da monilíase, doença que ataca os pés de cacau e que já vem gerando prejuízos aos produtores em outros países.

No Brasil, até o momento, houve a notificação de apenas um caso no Acre, em área urbana, monitorado pelas autoridades sanitárias locais e nacionais, que já editaram diversas medidas de contingenciamento. Com o intuito de levar informações e dicas de cuidados para os produtores, a AIPC lançou no início de agosto um podcast com dicas e orientações sobre a prevenção da doença e o link das cartilhas e materiais oficiais do Ministério da Agricultura e da Ceplac para auxiliar os produtores. O podcast está disponível no site da AIPC: www.aipc.com.br

Da redação com o Agrolink

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