Produção de cana pode diminuir até 60% , diz Sindiveg

A história brasileira passa pela cana-de-açúcar. A primeira muda da planta chegou ao “mundo novo” pelas mãos portuguesas há 489 anos e começou a ser cultivada na capitania de São Vicente, hoje parte do Estado de São Paulo. Mas foi na região Nordeste que as plantações se espalharam. Sinônimo de riqueza naquela época, o açúcar feito com a cana até hoje tem importância fundamental para a economia brasileira, movimentando cerca de R$ 55 bilhões.

“Atualmente, a cana é plantada em uma área equivalente a 10,1 milhões de estádios de futebol. São mais de 750 milhões de toneladas colhidas anualmente, quase sete vezes mais do que o registrado em levantamentos feitos na década de 1970”, destaca o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Julio Borges, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esses números, que tendem a se superar a cada ano, rendem ao Brasil o título de maior produtor de cana-de-açúcar do mundo, com 40% da colheita global, à frente de potências como a Índia e a China. O apontamento é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês). E esse produto agrícola não serve apenas para alimentação ou para a produção de bebidas, mas também para produção de combustível de alta qualidade.

“Nesse cenário, porém, nem tudo são boas notícias. Afinal, pragas, doenças e plantas daninhas tiram o sossego dos produtores rurais. Especialmente em épocas mais secas, as daninhas são um perigo iminente, pois causam competição por água e nutrientes. Sem tratamento, a braquiária, o capim-colchão, o capim-colonião e a corda-de-viola podem reduzir até 60% da produção, um prejuízo potencial de R$ 32,8 bilhões”, afirma a diretora executiva do Sindiveg, Eliane Kay.

E não são apenas as ervas daninhas que colocam em risco a garapa, acompanhante inseparável dos pastéis de feira. São igualmente preocupantes doenças fúngicas como a podridão-abacaxi (Thielaviopsis paradoxa), a ferrugem alaranjada (Puccinia kuehnii) e marrom (Puccinia melanocephala), assim como insetos – broca da cana-de-açúcar e as cigarrinhas das raízes e das folhas. Todos esses problemas estão presentes nas lavouras de todo o país.

“A solução para essas ameaças altamente impactantes para a economia e a sociedade brasileira é proteger os canaviais. A indústria, por meio da ciência e da tecnologia, está empenhada em auxiliar os agricultores a vencer mais esses desafios. Temos recursos modernos para controlar pragas, doenças e daninhas, que se espalham facilmente devido ao clima tropical e, rapidamente, podem criar resistência”, salienta Eliane Kay.

Eliane aponta que defensivos, usados de forma correta e segura, protegem a cana sem causar prejuízo à qualidade do cultivo e à segurança dos derivados oferecidos à população. “Antes de serem comercializadas, as soluções são testadas e submetidas a um longo e rigoroso processo de avaliação, que leva em média 5 anos até a liberação para uso. Essa é a garantia de que esses insumos são benéficos para agricultores, comerciantes e consumidores”, finaliza.

Produção regional

Cerca de 57% da produção nacional de cana-de-açúcar está concentrada no Estado de São Paulo, que produz 425,6 toneladas ao ano, segundo o IBGE. Em seguida, o ranking tem Goiás (10% da colheita total), Minas Gerais (9,7%), Mato Grosso do Sul (6,9%), Paraná (5,5%), Mato Grosso (3,1%), Alagoas (2,5%), Pernambuco (1,6%), Paraíba (0,72%) e Bahia (0,69%). Todas os demais Estados, além do Distrito Federal, também têm canaviais.

os dados são do Sindiveg.

Da redação com o Agrolink

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