Estudante cria órtese com cano de PVC para ajudar cadela de rua atropelada no CE

Uma órtese construída com cano de PVC por um aluno de Medicina Veterinária da Unijuazeiro (Centro Universitário de Juazeiro do Norte) transformou a rotina de uma cadela de rua e abriu caminho para criar novas ferramentas para ajudar animais feridos.

O protótipo foi desenvolvido por Edinaldo Pereira, que teve a ideia depois de Amora – como foi batizada a cachorrinha – ter sido resgatada, há dois meses, com uma fratura na perna e levada até o Centro de Zoonose da universidade.

Amora foi avaliada pelas médicas veterinárias do centro, Caroline Barros e Liliane de Oliveira, que constataram uma fratura no fêmur esquerdo.

“Por ela ser uma cadela de rua, não era viável realizar cirurgia. Então, após uma semana de cuidados, eu disse que poderia fazer essa órtese de cano PVC. Fui para casa, usei o cano, makita, parafusos, fogo para moldar a órtese e produzi em duas horas”, conta o estudante.

Edinaldo relata que a pressa em produzir o protótipo era em razão da necessidade e bem-estar de Amora. “Para fazer esse tipo de material, é preciso ter as medidas da parte anatômica do animal, mas como foi na pressa, eu não tinha. Foi difícil, me arrisquei pela rapidez do processo, mas deu certo. Quando levei a órtese e as médicas colocaram, encaixou perfeitamente”.

Annielle Fernande, médica veterinária e professora da Unijuazeiro explica que as órteses são suportes fixados externamente ao corpo do animal utilizados para auxiliar na locomoção, e devolver autonomia e independência ao cachorro.

“O estudante conseguiu aplicar os conhecimentos sobre o aparelho locomotor (ossos, articulações e músculos) para trazer uma solução adequada de um ponto de vista biomecânico e compatível com a situação.”

Edinaldo revela que a invenção serviu como protótipo para criação de outras órteses. “Apesar do centro não ser uma clínica, a população sempre leva animais machucados para lá. E eu estou fazendo esse trabalho junto às veterinárias, criando e adaptando novas órteses para o fêmur, fíbulas, rádios. O projeto pode ser replicado para outros animais de pequeno porte, como gatos, por exemplo”, destaca.

Hoje, Amora segue em boa recuperação, voltando a andar com o auxílio da órtese e de medicamentos. Ela está sob os cuidados da tutora Renata dos Santos Sales, na fila de adoção definitiva.

Da redação com  a GloboRural

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *