Países unificam dados sobre resistência bovina ao carrapato

Brasil, África do Sul e Austrália uniram, de forma inédita, os seus bancos genômicos sobre a resistência de diversas raças de bovinos de corte ao carrapato. O parasita é um dos principais causadores de prejuízos na bovinocultura, afetando cerca de 80% do rebanho de gado de corte e leiteiro do mundo. Em 2016, esses prejuízos foram estimados entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões.

Os cientistas integram o Consórcio Internacional do Carrapato, coordenado pelo Centro para Genética e Saúde da Pecuária Tropical (CTLGH), localizado na Universidade de Edimburgo, no Reino Unido e que envolve países da África, Oceania, Europa e das Américas.

Estão contempladas as raças Angus, Hereford, Brangus e Braford (Brasil); Tropical Composite e Brahman (Austrália); e Nguni (África do Sul). O estudo mostra que ao envolver diferentes populações de bovinos, o trabalho viabiliza previsões mais precisas sobre a resistência ao carrapato.

Isso permite que a seleção possa avançar inclusive em populações que tenham uma população de referência menor. Podemos buscar agregar outras populações e fazer com que aumente ainda mais esse banco. Lembrando que essa população de referência é a base de dados necessária para iniciar o processo de seleção genômica. São animais com contagem de carrapatos e com os genótipos para milhares de marcadores por todo o genoma”, explica o pesquisador Fernando Flores Cardoso, chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul e primeiro autor do artigo.

Os dados consistiram em contagens ou escores de carrapatos, avaliando o número de carrapatos fêmeas de pelo menos 4,5 mm de comprimento.. “Os resultados indicam que uma avaliação genômica conjunta de Angus, Hereford, Braford, Brangus (foto abaixo) e Brahman pode ser prontamente implementada para melhorar a resistência ao carrapato dessas populações usando a seleção em valores genômicos de reprodução. Para Nguni e Tropical Composite, fenotipagem adicional será necessária para obter valores genômicos mais precisos”, declara Cardoso.

Conforme o pesquisador Appolinaire Djikeng, da Universidade de Edimburgo (Escócia), coautor do artigo, o estudo colabora diretamente para a diminuição da pressão por uso de produtos químicos de controle do carrapato.

“Os resultados relatados em nossa publicação fornecem uma estrutura para a integração da seleção para resistência a carrapatos em programas de criação de gado. Ao fazer isso, será cada vez mais possível identificar animais resistentes a carrapatos para uso por produtores em áreas endêmicas desses parasitas. Um benefício significativo de longo prazo dessa abordagem é o uso reduzido e até a eliminação de acaricidas muito usados para tratar animais, mas que apresentam efeitos adversos importantes para a saúde pública e o meio ambiente”, declara.

Um dos principais resultados dessa pesquisa foi a formação de um banco de dados de animais das raças Hereford, Braford, Angus (foto à esquerda) e Brangus com milhares de bovinos que possuem dados de genotipagem para 50 mil marcadores genéticos e dados fenotípicos para resistência a carrapatos, para características produtivas – como ganho de peso – características de adaptabilidade, pigmentação ocular, comprimento de pelame e tamanho de prepúcio. Essa base, a maior em todo o mundo sobre resistência ao carrapato, constitui uma População de Referência para o desenvolvimento de predições genômicas.

Os resultados desse trabalho inédito integram o artigo Predição genômica de vários países e raças de resistência a carrapatos em bovinos de corte, na revista científica internacional Frontiers.

Da redação com o Agrolink

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