Esgoto vira inspiração para tecnologia aquapônica

Um dos maiores desafios que a aquicultura sustentável enfrenta é encontrar uma maneira de aumentar o volume da produção agrícola e, ao mesmo tempo, reduzir os fluxos de resíduos que podem levar ao acúmulo de resíduos nocivos. Uma nova pesquisa propõe um sistema aquapônico para tratar esses resíduos de peixes e usá-los para produzir mais alimentos.

Neste estudo publicado na Frontiers in Plant Science, pesquisadores do Departamento de Ciências Marinhas da Universidade de Gotemburgo, Suécia, demonstraram uma maneira nova e eficiente de converter resíduos de peixes de fazendas de aquicultura em fertilizantes vegetais e, assim, melhorar os nutrientes disponíveis para as plantas no cultivo de plantas hidropônicas.

O autor principal, Victor Lobanov, explicou que “A lama de peixe é um resíduo composto de alimentos não consumidos e fezes de peixe e normalmente é decomposta por bactérias na água. Além de danificar fisicamente as guelras dos peixes, o excesso de carbono nos sólidos leva ao crescimento excessivo de bactérias, o que diminui o oxigênio da água e prejudica a respiração do peixe. Queríamos descobrir se esses resíduos poderiam ser usados para fertilizar plantas em sistemas aquapônicos, removendo o excesso de carbono, mas conservando os minerais necessários para o cultivo”.

Os cientistas investigaram uma possível solução inspirada em esgoto e estações de tratamento de esgoto encontradas em todo o mundo, chamada Enhanced Biological Phosphorus Removal (EBPR). Eles adaptaram esse processo para reduzir o risco de acúmulo de bactérias na água e descobriram que os minerais nos resíduos de peixes eram solúveis em água e, portanto, podiam estar biologicamente disponíveis para absorção pelas plantas.

Eles descobriram que o sistema de tratamento de sólidos que desenvolveram era muito eficaz no transporte de nutrientes dos resíduos de peixes para o sistema aquapônico na forma de fertilizante líquido com a mesma eficiência de uma solução nutritiva comercial. Embora o fertilizante não atendesse totalmente as necessidades das plantas, já que alguns nutrientes como o manganês estavam faltando, os pesquisadores esperam otimizar esse sistema em estudos futuros.

Da redação com o Agrolink

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