Suíça votará em referendo se proíbe o uso de agrotóxicos na produção de alimentos

No próximo domingo (13/6), os suíços votam um referendo que pode proibir totalmente o uso de agrotóxicos no país. A pressão para o veto vem de ambientalistas e produtores orgânicos que não usam pesticidas, herbicidas ou fertilizantes químicos.

A campanha “Por uma Suíça sem pesticidas químicos” nasceu em 2016 e conseguiu apoio suficiente no Parlamento para ir a referendo popular. Se a iniciativa for aprovada, a Suíça será o primeiro país do mundo a banir os agrotóxicos, que passam a ser vetados em todas as atividades, desde a agricultura a jardinagem.

A Syngenta, multinacional de origem suíça que fabrica agroquímicos, e outras grandes empresas do setor estão fazendo campanha no país para ressaltar os benefícios do uso desses produtos químicos na produção de alimentos. O governo e grandes associações de produtores agrícolas também fazem campanha para que os eleitores rejeitem a proposta.

Segundo a Associação Suíça de Agricultores, ouvida pelo portal de notícias SWI Swissinfo, na última década, o uso dos pesticidas químicos já caiu 40% no país, mas esses produtos são necessários para combater pragas e doenças que não vão desaparecer de repente.

A estimativa da associação é de que, com a aprovação, a produção de alimentos cairia em torno de 20% a 30%. Se a medida entrar em vigor, fica proibida também a importação de alimentos produzidos com pesticidas sintéticos, para não colocar os agricultores locais em desvantagem.

Pesquisas indicam que a proposta tem o apoio de 40% dos eleitores suíços, que também votarão outras quatro iniciativas no domingo, entre elas uma intitulada “Por água potável e alimentação saudável”, que estabelece que subsídios agrícolas só podem ser liberados para práticas agrícolas que não agridem o ambiente e não poluem a água potável.

Caso essa iniciativa seja aprovada, fazendas agrícolas que usam agrotóxico e fazendas de pecuária que utilizam antibióticos como medida preventiva na criação dos animais não poderiam mais receber subsídios do governo.

No país europeu de 8,6 milhões de habitantes, qualquer assunto pode ser submetido à votação nacional, desde que reúna 100 mil assinaturas. A questão dos agrotóxicos reuniu 121.307. O tema da água teve 113.979.

Da redação com a Globo Rural

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