Patriota será novo endereço de Jair Bolsonaro para disputar as eleições de 2022

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FIM DO MISTÉRIO

O presidente Jair Bolsonaro deixará der um “sem partido” desde que deixou o PSL em 2019. A negociação para ida dela para o Patriota foi coordenada pelo filho, senador Flávio Bolsonaro e anunciada nesta segunda-feira (31). O presidente da República enfrentava dificuldades na negociação com uma série de partidos porque exigia o comando da sigla. Ele não abria mão de controlar os diretórios regionais da agremiação que o acolhesse. No entanto, o presidente do Patriota, Adilson Barroso, disse que Bolsonaro aceitou a sigla sem pedir uma bala. Tudo parece bem, embora o vice-presidente da sigla, Ovasco Resende, não comungue da mesma opinião de Barroso. Um racha interno é tido como certo ainda nesta semana.

ESTRATÉGIA FRUSTRADA

Nos últimos meses, Bolsonaro conversou com líderes de pelo menos sete legendas: PL, Republicanos, PTB, Patriota, PRTB, PP e PSL — seu último partido. Ele sinalizou a todos que gostaria de ter a liberdade de indicar nomes para comandar os diretórios das siglas nos estados, o que lhe daria mais poder para definir estratégias voltadas ao pleito de 2022, mas, em contrapartida, foi avisado de que as legendas não estariam dispostas a tomar uma decisão tão arriscada como essa, que seria capaz de mudar a identidade e o perfil da agremiação. Resta saber se Bolsonaro vai se contentar com uma simples filiação ao Patriota. Vai que ele se rebele e queira uma fatia maior do bolo?

CAPITAL POLÍTICO

No momento em que os holofotes apontam para a crise política e as investigações da CPI da Covid no Senado, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tem feito avançar, sem grandes dificuldades, as pautas econômicas do governo e do Centrão, grupo partidário do qual é um dos principais líderes. Desde que assumiu o comando da Casa, em fevereiro, o deputado vem conseguindo, como um trator, limpar o terreno para a aprovação de uma extensa agenda liberal, em sintonia com as demandas do mercado e do setor produtivo. Pelos bastidores o chamam de “homem forte da República”.

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MOEDA DE TROCA

Arthur Lira é um articulador nato, disso ninguém tem dúvida. O deputado aparece sempre em uma posição de destaque, com o poder de pautar projetos e oferecer relatorias de propostas, utilizando essas prerrogativas como moeda de negociação. Críticos admitem que Lira é bem mais habilidoso no quesito articulação do que o seu antecessor na presidência da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Por transitar bem nos bastidores, Arthur Lira consegue manobrar a Câmara para funcionar como freio e também como acelerador do Executivo, quando necessário.

A VER NAVIOS

Quem não está nada bem na articulação é o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. O cerco se fecha e a situação dele no governo está cada vez mais insustentável, com a série de acusações da Polícia Federal de que ele integra esquema criminoso de exportação de madeira. Prova disso é que Salles tem recebido apoio tímido do presidente Jair Bolsonaro. Tem cheiro de fritura no ar. O ministro adotou o estilo recluso. Sumiu das redes sociais e deixou de informar os compromissos diários da agenda oficial.

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MEIO AMBIENTE

Quem anda dando puxão de orelha no governo de Bolsonaro é o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). De forma indireta, é claro. Segundo ele, se o Brasil não se alinhar à política ambiental adotada nos principais países do mundo, estará “fadado ao insucesso”, referindo-se ao crescimento do país. Ele participou de um debate promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Editora Globo nesta segunda-feira (31) sobre o crescimento do país pós-pandemia. Para o senador, a pauta mundial e as relações internacionais dependerão muito da demonstração do Brasil de que tem consciência ambiental, de que tem seu desenvolvimento econômico pautado nessa sustentabilidade e de que o país desenvolve a partir de seus próprios mecanismos de tecnologia, pesquisa e inovação.

MENOS RISCO

O setor público consolidado registrou superavit primário recorde de R$ 24,3 bilhões em abril de 2021. No mesmo mês do ano passado, as contas públicas tiveram saldo negativo de R$ 94,3 bilhões, de acordo com as estatísticas fiscais divulgadas pelo Banco Central (BC). A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) — que inclui governo federal, Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e governos estaduais e municipais — ficou em R$ 6,665 trilhões em abril, equivalente a 86,7% do Produto Interno Bruto (PIB), queda de 2,2 ponto percentual em relação a março. O governo comemorou, é claro!

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