Produtores de café usam abelhas para aumentar a produtividade no Brasil

O Brasil é o maior produtor mundial de café, mas os cafeicultores estão começando a usar uma arma secreta incomum para impulsionar ainda mais a produtividade: abelhas africanizadas.

Os insetos raramente são usados no país para polinizar as plantas de café arábica porque elas se autopolinizam. Agora, entretanto, os produtores brasileiros estão aproveitando a tecnologia para acionar com maior facilidade o “reforço” dos insetos.

“Abelhas gostam tanto de trabalhar que encontramos ainda mais para elas fazerem. São como pequenos robôs”, afirma Vanusia Nogueira, diretora executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais, que diz apoiar fortemente o esforço porque produz um café melhor e mais sustentável.

O resultado aprimorado pelas abelhas pode ser útil em 2021. A produção brasileira de café arábica tem um ciclo de dois anos, com colheitas maiores em anos pares do que nos ímpares, nos quais as plantas se recuperam.

O tempo ruim no ano passado durante períodos chave para o desenvolvimento das plantas significa uma colheita ainda menor em 2021, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Uma das formas de acessar as abelhas mais facilmente é por meio de aplicativos. Guilherme Sousa e dois sócios começaram a oferecer o serviço de conectar apicultores aos cafeicultores em 2019 por meio do Agrobee, que tem sido chamado de “Uber das abelhas”.

O objetivo inicial dos parceiros era ajudar a aumentar a produtividade, mas eles também sabem que a polinização com as abelhas tem muitos outros benefícios, especialmente para o meio ambiente.

“É definitivamente mais sustentável, porque você está aumentando a produtividade com um custo muito baixo para o meio ambiente. Você não tem desmatamento, não tem que usar mais pesticidas, então no final acaba reduzindo suas emissões de carbono para cada tonelada de café produzida. E usa menos água também, porque está conseguindo mais café pela mesma quantidade de água”, observa.

Marisa Contreras começou a usar os serviços da AgroBee em 2020 como um experimento em 10 dos hectares que ela e o marido plantaram em sua terra, a fazenda Capoeira Coffee, em Minas Gerais. Os produtores ficaram tão impressionados com o resultado que planejam ampliar o uso de abelhas para todos os 100 hectares cultivados com café até 2025.

A área onde primeiro utilizaram abelhas produziu 15% a mais do que a área de autopolinização, e o café também tem um gosto melhor, segundo Contreras. O café recebe uma nota de acordo com o sabor quando os produtores brasileiros vendem seus grãos, com notas maiores trazendo mais dinheiro, e o café das áreas polinizadas por abelhas pode ganhar alguns pontos a mais do que os campos próximos onde as plantas se autopolinizaram, de acordo com a cafeicultora.
“A primeira indicação de que o café seria bom foi quando chegamos perto da época da colheita. Fizemos um teste para medir o açúcar no café, e eram os grãos mais doces da plantação. A primeira coisa que pensei quando bebi foi ‘isso é doce, é tão balanceado’. Era maravilhoso”, disse Contreras.

A AgroBee trabalha com 200 a 300 apicultores, e com a demanda pelos serviços da empresa crescendo exponencialmente, continua a acrescentar fornecedores à sua lista. Os insetos polinizaram 450 hectares de plantações de café em 2020, e devem trabalhar em aproximadamente 4 mil hectares em 2021, afirma Souza.

Da redação com o Globo Rural

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