Receita da carne de frango em 2020 foi a 2ª menor dos últimos cinco anos

Não há detalhes específicos acerca dos valores registrados. Mas, pelo gráfico divulgado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), reproduzido abaixo, confirma-se que a pandemia de Covid-19 afetou diretamente as exportações mundiais de carne de frango, pois a receita global do período retrocedeu ao segundo menor nível do quinquênio 2016-2020, superando apenas a que foi registrada no início do período, em 2016.

O gráfico integra o Anuário 2020 de Exportações Agrícolas, trabalho no qual o USDA analisa o desempenho externo da agropecuária norte-americana no ano que passou. Em relação especificamente à carne de frango o Anuário observa:

(1º) as exportações de carne de frango dos EUA recuaram em todos os principais mercados, exceto em Taiwan e na China, cuja reabertura foi fundamental na manutenção da receita do setor. Mais de 60% (US$461 milhões) dos embarques para a China foram de patas de frango, “produto para o qual não há, praticamente, nenhum outro mercado significativo”. Como resultado, as exportações totais de patas de frango dos EUA alcançaram a marca histórica de US$958 milhões em 2020;

(2º) os EUA continuaram enfrentando problemas de acesso ao mercado na Coreia do Sul, África do Sul, Indonésia, Arábia Saudita e Índia, devido a barreiras não-tarifárias e supostos problemas sanitários;

(3º) a forte concorrência das exportações brasileiras juntamente com os embarques de exportadores de frango em ascensão (como Turquia, Ucrânia, Argentina e Rússia) elevou o ambiente competitivo;

(4º) os EUA continuam enfatizando para a comunidade comercial global que o uso de análises baseadas em risco e ciência sólida são as melhores maneiras de abordar desafios de longa data, como a regionalização da Influenza Aviária de alta patogenicidade e o estabelecimento de padrões de utilização de medicamentos veterinários.

Já no tocante a 2021 e aos próximos anos, o Anuário comenta:

(1º) Excluídas as patas, as exportações de carne de frango dos EUA devem permanecer estáveis em 2021 e os preços do produto devem recuar, impactando negativamente o valor total dos embarques. O suprimento exportável de carne de frango será limitado, já que o preço mais alto das rações tende a bloquear a produção local, cujo volume, prevê-se, deve aumentar menos de 1%;

(2º) Embora o consumo global de carne de frango tenha se mantido relativamente estável frente à desaceleração econômica causada pela Covid-19 (porque é uma proteína animal versátil e de baixo custo), a lenta recuperação econômica global propiciará ganhos limitados na demanda de curto prazo. Ainda assim, as projeções de longo prazo do USDA refletem uma perspectiva positiva, prevendo que as exportações norte-americanas de carne de frango crescerão quase 25% nos próximos 10 anos;

(3º) Espera-se que os EUA mantenham sua posição como o segundo maior exportador mundial de carne de aves, atrás apenas do Brasil. Mas a participação da avicultura norte-americana no comércio global diminuirá ligeiramente. Durante a próxima década, o crescimento populacional e o aumento do poder aquisitivo, principalmente em países de baixa e média renda, estimularão o aumento de consumo das carnes, aquecendo a demanda pela carne de frango, cujos preços são mais competitivos.

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