China adotou agenda ambiental e haverá reflexo no agro brasileiro, diz Tereza Cristina

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que a China, principal parceiro comercial do Brasil, entrou na agenda ambiental positiva “há pouco tempo e para valer” e isso terá reflexos no agronegócio brasileiro. “O assunto (meio ambiente) não era um tema do nosso cotidiano”, afirmou Tereza Cristina, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast. “Mas fiquei muito bem impressionada com o discurso do novo ministro da Agricultura da China”, comentou.

Na quinta-feira, a 20, a ministra participou do “Diálogo Brasil-China sobre Agricultura Sustentável”, promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-China, que teve a participação do ministro da Agricultura e Assuntos Rurais da China, Tang Renjian. Na ocasião, ele afirmou que o governo chinês acredita haver enorme potencial para explorar a agricultura sustentável. “Queremos injetar um novo ímpeto no Brasil para alcançar a agricultura mais sustentável. O Brasil é o primeiro país a criar parceria estratégica com a China para desenvolvimento sustentável e maior parceiro no comércio de produtos agrícolas”, disse o ministro.

Segundo Tereza Cristina, ficou claro que o ministro chinês quer conhecer mais o que está sendo feito no agronegócio brasileiro em termos de sustentabilidade e “como funciona a agricultura sustentável praticada aqui”. Ela acrescentou ser “muito positivo” o interesse do gigante asiático e que, “de repente, se começa uma mudança aqui (em direção a uma maior sustentabilidade) por outro continente”. “Eles (os chineses) têm muito a mitigar e nós temos muito a oferecer.”

Ela lembrou que a China tem a responsabilidade de tirar da pobreza parte da sua população e, além disso, já há uma grande população, principalmente no continente asiático, “comprando mais e melhorando a alimentação e o Brasil está pronto (para atender) isso”. “Temos no Brasil mais de 90 milhões de hectares de pastos degradados e boa parte disso pode ser incorporada à agricultura sem mexer com nada”, disse ela, referindo-se ao fato de não ser necessário desmatar para expandir a agricultura no País. “São áreas antropizadas há muitos anos, sem investimento em terras que têm aptidão agrícola e pecuária e, além disso, quanto à aptidão pecuária, também há muito o que pode ser melhorado”, ressaltou. “Uma coisa puxa a outra.”

Ela ressaltou que, independentemente de a China exigir, a partir de agora, mais sustentabilidade na produção agropecuária brasileira, “isso é uma coisa que todo mundo exige”. “Mas temos que mostrar (para os chineses) que vamos trabalhar cada vez mais juntos”, continuou. “Aliás, esse compromisso (com os chineses por um agro mais sustentável) é muito alinhado com o que o Ministério da Agricultura já faz; estou muito empolgada, por exemplo, com o CAR dinamizado”, disse, referindo-se à ferramenta recém-lançada pela pasta que permitirá agilizar as análises e validações de mais de 6 milhões de Cadastros Ambientais Rurais (CAR) – o que vai garantir, como passo seguinte, que os produtores rurais com pendências ambientais possam aderir aos Programas de Regularização Ambiental (PRA).

Plano Safra

Em relação ao Plano Safra 2021/22, em discussão no governo federal para a próxima safra, que se inicia oficialmente em 1.º de julho, Tereza Cristina garantiu que quer um “Plano Safra mais verde para todos”, ou seja, com forte viés agroambiental. “Estamos com algumas propostas que não posso dizer agora porque estamos aguardando para bater o martelo, mas vão no sentido de programas de manejo mais sustentáveis.”

Para a pecuária, por exemplo, ela lembrou que o Plano de Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), que tem linhas de crédito subsidiadas contempladas no Plano Safra, já atende satisfatoriamente o segmento em busca da sustentabilidade. Por isso, segundo Tereza Cristina, a discussão atual com o setor é a busca de “modelos de pecuária mais sustentáveis”. “Temos conversado muito com produtores e com a Embrapa, para que os modelos pecuários sustentáveis possam ser mais massificados.”

Em relação à reivindicação por mais recursos, principalmente para equalização de juros no próximo Plano Safra – que depende de aprovação do Ministério da Economia -, Tereza Cristina disse que “está otimista”. “Afinal, somos um segmento que tem puxado a economia do Brasil e que tem de ser considerado”, reforçou. “Mas temos problemas fiscais e a gente entende isso”, continuou e acrescentou que, com a Lei do Agro – que criou ferramentas para ingresso do capital privado no crédito rural -, passou a ser possível o financiamento com recursos não oficiais. “A Lei do Agro trouxe muitas oportunidades de investimentos para produtores que são competitivos.”

 Da redação com o Terra

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *