Rota do Mel será formalizada no Pará

O estado do Pará recebe nos dias 19 e 20, em evento 100% on-line, a primeira Oficina de Planejamento Estratégico da Rota do Mel no estado do Pará. A ação é promovida por meio de parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), responsável pelas Rotas de Integração no Brasil, e a Embrapa Amazônia Oriental. A Rota do Mel visa o desenvolvimento territorial e regional através do fortalecimento de arranjos produtivos locais associados à apicultura, meliponicultura e produtos das abelhas.

Participam do evento, atores da cadeia produtiva do mel do estado como produtores, associações, agroindústrias, além de instituições de fomento e pesquisa. Nesses dois dias, a oficina pretende construir estratégias de ação no território, além de um comitê gestor e uma carteira de projetos para o sistema produtivo regional da apicultura, meliponicultura e produtos derivados das abelhas.

No Pará, a região Sudeste foi escolhida pelo MDR para iniciar os trabalhos, compreendendo os municípios de Canaã dos Carajás, Eldorado dos Carajás, Parauapebas, Curionópolis e adjacentes, conforme explicou Daniel Santiago, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental e um dos responsáveis pela articulação no estado.

O pesquisador explica que a instalação da Rota do Mel é uma demanda do setor produtivo intermediada pela Embrapa junto ao MDR desde 2019. Santiago relembra que a demanda foi efetivada durante uma oficina realizada pelo projeto Agrobio, no qual reuniu, em Belém, representantes de toda a cadeia produtiva.

Para o pesquisador é muito simbólico que a formalização dessa conquista ocorra exatamente quando se comemora a semana nacional do apicultor. “O Pará tem grande potencial de produção de mel com valor agregado, em especial, por ser produzido na Amazônia. A produção de mel tem ainda como grande diferencial ser plural ao promover o desenvolvimento econômico com sustentabilidade, pois favorece ao mesmo tempo, geração de renda, a proteção e fortalecimento das florestas e ainda potencializa diversas atividades agrícolas por meio da polinização”, defende o Santiago.
Potencial da produção de mel no Pará
O Brasil é o 11º produtor mundial de mel com uma produção estimada em quase 46 mil toneladas em 2019 (FAO, 2019) e está entre os maiores exportadores do mundo, com produto muito apreciado pelo mercado internacional.

A produção paraense ainda é modesta e representa apenas 1% de toda a produção nacional. Dados do IBGE mostram que o estado produziu 670 mil kg desse produto em 2019, o que corresponde a 65% da produção de mel de toda a região Norte. A atividade é desenvolvida majoritariamente pela agricultura famíliar e movimentou cerca R$ 9 milhões no estado, em 2019 (IBGE/PPM, 2019).

Ser produzido na Amazônia e ao mesmo tempo promover serviços ambientais potencializa a agregação de valor e diferencia o mel e derivados produzidos no Pará, deixando-os mais competitivos. É o que aposta o produtor Luiz Pereira Rodrigues, presidente da Associação de Apicultores de Canaã dos Carajás, um dos municípios incluídos nesta primeira etapa da Rota do Mel.

Para o produtor, a implantação da Rota do Mel vai promover a profissionalização da cadeia e principalmente, a integração dos produtores da região, para juntos, buscarem novos mercados e produtos e com isso, impulsionar a economia local. “Temos um pasto apícula que garante caraterísticas diferenciadas do mel produzido na região e, com a chegada da Rota do Mel, teremos oportunidade de melhorar nossa produção e mostrar todo potencial do mel feito nessa parte da Amazônia para o mundo”, enfatiza.

 Rotas de Integração Nacional

As Rotas são redes de arranjos produtivos locais associadas a cadeias produtivas estratégicas, fomentadas pelo Ministério do Desenvolvimento Regional e parceiros, para promover a inclusão produtiva e o desenvolvimento sustentável das regiões brasileiras.

Da redação com o Agrolink

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