Preços do leite e derivados registram valorização

Mesmo com o último relatório do USDA indicando maior plantio nos Estados Unidos de milho e soja na safra 2021/2022, os estoques globais devem continuar baixos, mantendo firmes os preços desses produtos e impactando setores como o do leite. É o que projeta a Nota de Conjuntura de maio de 2021, do Centro de Inteligência do Leite, da Embrapa Gado de Leite.

No mercado brasileiro, os preços de milho e soja seguem em patamares mais elevados. Tem sido observado ainda uma valorização de fertilizantes, defensivos e combustíveis, afetando também o custo do alimento volumoso. Os últimos meses foram de aperto de margens para os produtores de leite. Apesar disso, dados preliminares do IBGE indicaram um crescimento de 1,3% na produção de leite inspecionado neste primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2020.

Em abril, verificou-se um pequeno aumento nos preços do leite pago ao produtor. A média Brasil fechou em R$1,98/litro ante R$1,94 em março. Foi a primeira valorização do ano, sendo explicada por um conjunto de fatores. Pelo lado da oferta, o momento é de entressafra, período em que sazonalmente a produção desacelera nas principais regiões produtoras.

As importações vêm perdendo força e o volume mensal já recuou de 150 milhões de litros em janeiro para 51 milhões no último mês. Por outro lado, as exportações cresceram nos últimos dois meses. Em abril, o desempenho foi bastante robusto e os embarques totalizaram cerca de 25 milhões de litros. Apesar de continuar deficitária, a entrada líquida de lácteos no país recuou. Em resumo, a oferta tem sido negativamente pressionada pela queda de rentabilidade das fazendas, entressafra, redução da
importação e aumento da exportação.

Pelo lado da demanda, informações da Nielsen mostram um crescimento de 2,6% no volume de vendas de leite UHT no primeiro bimestre de 2021. Iogurtes também registraram um bom desempenho, enquanto no leite em pó, as vendas foram fracas, com queda de 0,5%. Esse resultado sugere um consumo relativamente bom frente aos dados da oferta e o momento econômico atual mais delicado.

O grande desafio daqui em diante refere-se às margens no setor. As altas de preços dos alimentos e outros produtos para o consumidor foram fortes, ao mesmo tempo em que a renda média piorou, devido à fragilidade da economia e do mercado de trabalho. As margens dos produtores e dos laticínios recuaram. Considerando um cenário de custos mais altos, a recuperação de margens fica na dependência de um repasse de preços para o consumidor, mas isto pode esbarrar em queda de consumo. Neste início de maio houve pequena alta nos preços no mercado Spot, bem como em derivados como UHT e queijo muçarela no atacado, inclusive com reajustes ao consumidor.

Da redação com o Agrolink

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