Mercado de combustíveis renováveis ajuda a expandir lucros da JBS nos EUA

Além do ciclo de baixa do mercado pecuário e da retomada das atividades econômicas proporcionada pelo avanço da vacinação contra a Covid-19 nos EUA, o faturamento recorde da JBS no país no último trimestre também foi favorecido pelas mudanças no mercado americano de energia.

Durante teleconferência com analistas de mercado, o diretor-presidente da divisão, André Nogueira, afirmou que a venda de subprodutos teve um impacto de US$ 100 milhões no balanço da empresa – sendo grande parte desse volume puxado pelo mercado de combustíveis renováveis.

“Com essa questão de energia renovável não só nos EUA, mas principalmente nos EUA, há uma mudança no patamar de preço, em especial na questão de óleos que vão para renewable fuels (combustíveis renováveis), que tem uma produção grande aqui nas plantas dos EUA”, explicou Nogueira aos ressaltar que trata-se de uma mudança de mercado “contínua”.

“Já impactou no primeiro trimestre, quando você olha todos os subprodutos – couro, subprodutos que vendem para a Ásia, para o rendering, você tem impacto adicional, comparado ao primeiro trimestre do ano passado, no sales (vendas), de US$ 100 milhões. Impacto relevante e parte grande desse impacto está aqui para ficar porque está relacionado a esses renewable fuels”, avalia o executivo.

O presidente global da companhia, Gilberto Tomazoni, classificou como “excepcional” o resultado da JBS nos EUA durante o primeiro trimestre deste ano – o que permitiu à companhia passar de um prejuízo de quase US$ 6 bilhões para lucro líquido de mais de R$ 2 bilhões, na comparação com os três primeiros meses do ano passado.

Em seu balanço, a companhia destacou que “o negócio na região continua sendo impulsionado pela ampla disponibilidade de gado pronto para o abate, cujos índices de colocação em confinamentos continuam em patamares acima do registrado no ano passado” – cenário bem diferente do enfrentado no Brasil, onde a escassez de animais pressionou as margens da companhia.

Na avaliação de Nogueira, a dinâmica do mercado americano é “bastante favorável”, com demandas interna e externa muito fortes e impulsionadas pelo avanço da vacinação contra a Covid-19. Segundo a empresa, mais de 70% de seus colaboradores na região já tomaram a segunda dose da vacina contra o novo coronavírus.

“O food service ainda não está em plena capacidade na Ásia e acredito que com o avanço da vacinação tanto na Ásia quanto na Europa e no Canadá, o mesmo [que acontece nos EUA] vai acontecer em outras regiões – o que continua sendo altista para a demanda global por proteína animal”, explicou Nogueira ao ressaltar que o consumo mais forte tem permitido um maior repasse da alta dos custos de produção.

“Nesse momento com a demanda forte tanto em food service quanto revenda e com pouca disponibilidade de proteína em geral e, em frango, com a maior exportação, isso está permitindo que se coloque isso nos preços”, completou o presidente da JBS USA.

No Brasil, onde o mercado interno ainda sofre com uma taxa de desemprego recorde, esse repasse tem sido feito de forma mais lenta, observou Wesley Batista Filho, presidente da JBS América do Sul e da Seara.

“Também tem que se levar em consideração que a gente aumenta preço não só com o preço puro, a gente também tem o aumento de mix que tem sido uma chave muito grande do tudo que a gente tem feito para se adequar a esse cenário de grãos desde o ano passado”, destacou o executivo ao mencionar lançamentos no setor de pescados e frios.

“O que a gente vê é que o aumento do custo de grãos é global, é um aumento de mercado e é um cenário que vamos ter que trabalhar de forma mais eficiente para poder tirar o máximo que puder dele através de conversão e através de eficiência. A gente já vem fazendo isso desde o ano passado, melhorando a nossa operação cada vez mais, para conseguir trabalhar no cenário de custo de grãos nos níveis mais parecidos como eles estão hoje”, explicou Batista Filho.

Da redação com o Globo Rural

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