Ibama e universidades se unem para impedir chegada das piranhas invasoras ao litoral norte do RS

Impedir as piranhas vermelhas invasoras da bacia do rio Jacuí de chegarem ao litoral norte do Rio Grande do Sul e desenvolver métodos de captura desses peixes predadores, também chamados de palometas, que estão impactando a pesca numa área de 300 quilômetros nos rios do Estado. Com esses objetivos, o biólogo e analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) Maurício Vieira criou um grupo de trabalho com universidades, Secretaria Estadual do Meio Ambiente e prefeituras que irá se reunir virtualmente na próxima sexta.

“Vamos definir as estratégias para monitorar as palometas por satélite e também a agenda de campo para identificar como elas passaram da bacia do Uruguai para a do Jacuí, além de ouvir os moradores das cidades atingidas”, diz Vieira.

A equipe pretende visitar in loco pelo menos dois pontos que podem ser a origem da passagem das piranhas, que são nativas da bacia do rio Uruguai. Um deles fica na Lagoa dos Patos, em Porto Alegre, que faz a ligação com o litoral norte.

O analista diz que há uma barreira natural no delta do rio Guaíba, que deságua na Lagoa dos Patos, para acesso ao litoral norte, mas ressalta que duas espécies de peixes já passaram pela barreira antes. “Nosso objetivo é chegar antes das palometas nessa passagem para impedir desequilíbrios ambientais também no litoral norte, assim como prejuízos à pesca e ao turismo.”

As piranhas apareceram no Jacuí há cerca de três meses e reduziram quase a zero a pesca diária na colônia de Santo Amaro, que pertence ao município de General Câmara e fica a 70 km de Porto Alegre. Além de predar os peixes no rio, as piranhas atacam os capturados nas redes e, com seus dentes afiados, esburacam as redes.

Cerca de cem pescadores da colônia já ficaram sem sustento e vão receber duas parcelas de auxílio municipal de R$ 500. Segundo o prefeito Helton Barreto, está sendo feito o cadastro dos pescadores elegíveis para o auxílio e o pagamento deve começar no próximo dia 20.

Captura

O vice-presidente da Associação de Pescadores de Santo Amaro, Anderson Flores, acredita que, com o crescimento da população de piranhas no Jacuí e com o aumento do tamanho delas, o jeito de sobreviver será pescar piranhas para vender e comer.

Vieira diz que pretende propor aos órgãos reguladores que seja elaborada uma normatização de pesca das piranhas no Jacuí para que não haja nenhuma restrição, mesmo no período da piracema. “Acredito que as universidades junto com os os pescadores podem sugerir técnicas e armadilhas para capturar as invasoras”, diz.

Participam do grupo de trabalho pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Unipampa de Uruguaiana e São Gabriel, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e da Feevale de Novo Hamburgo.

Dourado

A sugestão já apontada por pescadores de introduzir o peixe dourado, que está quase em extinção no Guaíba, para predar as palometas não deve avançar, segundo Vieira, porque pode acarretar um novo problema biológico, já que os dourados também são predadores de outras espécies.

“Não há estudos sobre as consequências ambientais, nem qual seria a quantidade de dourados necessária. Já foram feitas experiências em outros lugares e o resultado não foi bom.”

Da redação com o Globo Rural

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