Bolsonaro leva motociclistas às ruas, mas ação pode ter efeito contrário na CPI da Covid

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TESTE DAS RUAS

O passeio de moto convocado pelo presidente Jair Bolsonaro no domingo conseguiu juntar um grupo considerável de motociclistas em Brasília. A Polícia Militar do Distrito Federal não calculou quantas pessoas percorreram a cidade ao lado de Bolsonaro, mas há quem aposte em cinco mil pessoas. No entanto, a mídia bateu duro no que chamou de passeio da irresponsabilidade. Bolsonaro foi acusado de promover aglomeração e de estimular o não uso de máscara. Bolsonaro ainda convocou apoiadores às ruas para participar de manifestações no próximo dia 15 de maio e disse que “estará lá no meio”. Entidades de produtores rurais nos estados organizam atos de apoio a ele, contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo fim das medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos. Resta saber se isso vai repercutir de forma positiva ou negativa na questão das responsabilidades investigadas pela CPI da Covid no Senado.

TESTE DAS REDES

Nas ruas os motociclistas apareceram para dar apoio ao presidente Bolsonaro, a popularidade do presidente da República vem despencando desde meados de março, com o recrudescimento dos casos de Covid-19 e o registro de mais de 420 mil óbitos de brasileiros, somado a questões relacionadas à vacina. Segundo levantamento da Inteligência Artificial ModalMais/AP Exata, de 26 a 30 de abril o percentual de pessoas que avaliavam a gestão como ruim ou péssima foi de 47,8%. As que achavam o governo bom ou ótimo, eram 27,9%, e 24,4% o consideravam como regular. De 3 a 7 deste mês o volume de menções negativas continua acima dos 60%. Um fator que chamou a atenção, segundo a pesquisa, foi que, na semana passada, a queda abrupta de menções positivas coincidiu com a morte do humorista Paulo Gustavo de covid-19, no último dia 4. As mensagens da família Bolsonaro lamentando o caso apenas aumentaram a rejeição.

Ô DÓ!

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, voltou a se lamentar por não ser o escolhido do presidente Bolsonaro para compor chapa com ele nas eleições de 2022. Nesta segunda o general reconheceu que “tudo indica que Bolsonaro não o me quer como vice”. “Mas eu também não vou morrer por causa disso. Eu continuo a ser general da reserva, a minha rede do posto 6 está pronta, me aguardando. Então, a vida continua”, comentou Mourão. Não foi a primeira vez que Mourão abordou a possibilidade de ser preterido por Bolsonaro. Isso porque, desde o segundo semestre do ano passado, os dois têm passado por uma série de desentendimentos. A quantidade de reuniões entre os dois diminuiu e, em determinadas ocasiões, o presidente chegou a rebater publicamente declarações dadas pelo vice.

“TEJE PRESO”

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou, nesta segunda-feira (10/5), que o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, será preso caso não cumpra com o “compromisso de falar a verdade” na Comissão Parlamentar de Inquérito da covid-19. A oitiva do militar está marcada para ocorrer no próximo dia 19. Corre pelos corredores palacianos comentários de que Pazuello tenta adiar o depoimento temendo que seja incriminado por seguir determinações do presidente Jair Bolsonaro em relação a propaganda de medicamentos sem eficácia contra a covid-19 e atraso na aquisição de vacinas. Será que terá alguém com “aquilo roxo” pra dar voz de prisão ao general?

ENQUANTO ISSO

Enquanto o assunto do momento continua sendo a CPI da Covid no Senado, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) diz, por meio de uma rede social, que a proposta da reforma Tributária vai ser fracionada e dividida entre três ou quatro relatores. Lira disse ainda que quer avançar com o texto sem se “preocupar com a paternidade” do projeto e que vai decidir ainda esta semana sobre o formato de tramitação da proposta. “Temos aí duas reformas, a que envolve renda e a de consumo. Daremos um passo esta semana para fazermos a reforma de maneira ordenada”, disse.

SUBIU A RAMPA

Brasília-DF, 20/07/2011. Fotos do Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

A CPI da Covid estuda com cuidado os próximos passos a seguir, pois trazem o Palácio do Planalto e Jair Bolsonaro para o centro das investigações, e seus integrantes — sobretudo os de oposição — não querem antecipar juízos que possam contaminar os trabalhos e criar uma onda contrária ao colegiado antecipadamente. Isso porque, no mapa traçado pelos senadores para esta semana, estão: coleta de dados sobre os passeios do presidente Jair Bolsonaro pelo Distrito Federal,  pedido de quebra de sigilo do ex-secretário de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten; e a possibilidade de votar a convocação do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente e apontado como o chefe do chamado “gabinete do ódio” e da administração paralela revelada pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. O bicho vai pegar para ambos os lados. De um lado a pressão, de outro, a caneta.

LAVOU AS MÃOS

Quem se lembra do episódio em que um senador governista chegou preocupado ao gabinete do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) pouco antes da instalação da CPI da Covid. Queria saber se poderia fazer algo para ajudar o presidente Jair Bolsonaro a sair da sinuca de bico da investigação. Pacheco respondeu que a presidência da Casa era independente. Nesta segunda o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), foi testemunha de outra conversa sobre a possibilidade de acelerar a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do voto impresso: “Quem vai definir são os líderes”, respondeu Lira. Ou seja, lavou as mãos. Resumindo: o Central quer ver Bolsonaro fraco politicamente, pelo que se vê.

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