‘Preço do ovo deve subir por causa dos insumos’, diz ministra da Agricultura

A indústria do ovo vive crescimento histórico, mas vê no horizonte pressão pelo aumento de preços. Tereza Cristina, ministra da agricultura, falou sobre como essa equação pode ser resolvida em entrevista ao Estadão. Confira os melhores momentos.

A indústria do ovo vive um momento histórico no consumo e, ao mesmo tempo, uma forte pressão nos preços de produção. Como resolver?

O setor já vinha crescendo e é verdade que vive um boom na pandemia. Houve um impulso fenomenal na demanda. Agora, esses produtores estão com problemas, mas esses problemas não são só deles, mas de todos os setores que ainda não têm uma comercialização mais sólida com os insumos, que são o farelo de soja e o milho, para ração.

O setor pede isenção de PIS e Cofins, por exemplo, que já é dada ao importador de ovos. O que pode ser feito?

Vamos ver. É preciso compreender que essa situação é temporária, porque é uma condição de mercado e, sobre isso, não há muito o que fazer. Do ponto de vista do Ministério da Agricultura, vamos incentivar o aumento de plantio de milho. A soja já aumentou sozinha.  No ano passado, sabendo que esse problema poderia acontecer, nós já fizemos isso. Hoje temos algo entre 35 milhões e 40 milhões de área com plantio de milho, mas neste ano tivemos aumento de mais 1 milhão de hectares para a safrinha (safra de inverno).

Acabamos de ter uma supersafra de soja e milho. O problema é quantidade?

Estamos com safras recordes, realmente, mas essa questão dos insumos é um problema global. O mundo hoje é conectado, o Brasil não é uma ilha. Soja e milho que são duas commodities internacionais, com preço de mercado listado em bolsa lá fora. Veja que, na semana passada, o preço desses insumos para ração subiu mais, porque o clima nos Estados Unidos não está ajudando o plantio. A safra deles acontece agora e eles só têm uma por ano. Qualquer coisa que dê errado com o clima prejudica a produtividade dos grãos deles e mexe com tudo. Então, é um mercado muito dinâmico. Além disso, os Estados Unidos estão com estoque de milho muito baixo em relação ao que costumam ter. O estoque de soja deles está baixíssimo. Paralelamente, na área econômica, a China cresceu. Os Estados Unidos também vão retomar a economia com a vacinação. Tudo isso junto aumenta o consumo, além de outros países que são demandadores de soja e milho e que voltarão a comprar. Então, o que nós temos que fazer é produzir mais.

Há previsão de safra recorde neste ano?

Nós tivemos supersafras de soja e milho no ano passado. Não sei se teremos de novo a supersafra, porque estamos no meio do caminho e tem problemas climáticos que podem acontecer. Vamos ter perdas, porque estamos com alguns problemas climáticos em algumas regiões. Há falta de chuva em algumas áreas do Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. Nessa época, as chuvas são mais irregulares. Mas teremos ótimas safras.

Isso tudo significa que o preço do ovo vai subir mais?

Essa é a minha maior preocupação. Não é nem com eles, os produtores, porque esse reajuste deles vai acontecer. A minha preocupação é com os consumidores, porque o preço deve aumentar. O custo está subindo no mundo inteiro e vai aumentar no Brasil. Não tem muito jeito. Temos que produzir mais, plantar mais milho e programar uma safra maior para setembro.

A senhora come ovo?

Eu adoro ovo. É bom, fácil, rápido e a gente pode fazer de todo jeito. Por mim, eu como ovo todo dia.

Da redação com o Estadão 

 

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