Primeiro webinar do Soilsplay aborda o mercado de carbono

Começou na última terça-feira (6 ) de abril a etapa dos webinars de sensibilização que ajudarão a entender melhor os temas propostos para o desafio de inovação do projeto SoilsPlay, lançado por Embrapa Solos (RJ), Firjan SENAI e Sistema CNA/Senar.

No canal da Embrapa no YouTube, os convidados Daniel Pérez, chefe de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa Solos, e Paulo Costa, assessor do diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), abordaram o tema Mercado de Carbono, explicando os conceitos de mercado de carbono, mercado de créditos de carbono e qual a relação carbono e solo.

“A história do mercado de carbono surgiu por causa das mudanças climáticas, da relação com os gases de efeito estufa. O efeito estufa é um efeito natural, que acontece no nosso planeta. A radiação que vem do sol atravessa a atmosfera, aquece a terra e os oceanos e essa energia térmica volta em direção ao espaço”, explica Daniel. De certa forma é graças ao efeito estufa que a temperatura na Terra é mais ou menos equilibrada.

E quem são os principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa no Brasil? O pesquisador da Embrapa responde: “a área agropecuária, geração de energia, processo industriais, tratamento de resíduos e mudanças de uso da terra e das florestas, basicamente queimadas”.

Mas vale lembrar que a agricultura tem um grande potencial de captação de carbono, localizado no pasto, quando se utiliza a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), não só na biomassa que está abaixo do solo como naquela que está acima.

A precificação e a comercialização do carbono funcionam no âmbito geral e nos sistemas agropecuários dentro de um esforço mundial da economia de baixo carbono. “Ou seja, agora as nações e as empresas debatem as soluções para combater as mudanças climáticas”, esclarece Costa. “Atuando no mercado financeiro existem práticas que estão sendo promovidas, como atividades econômicas que sejam menos agressivas, produzindo menor impacto em relação às mudanças climáticas.”

Um exemplo, dentro do mercado financeiro, são os títulos verdes (green bonds), títulos de dívida, cujos recursos são captados e devem ser direcionados para financiar projetos que tragam cenários positivos ao meio ambiente e à mitigação de mudanças climáticas. Também existem fundos de investimento gigantes que já afirmaram que não vão financiar atividades agressivas ao ambiente. Muito importante também é a nova consciência do consumidor, preferindo produtos elaborados de maneira mais sustentável. Além das próprias empresas que buscam produzir emitindo menos carbono.

“O mercado de carbono tem duas vertentes: o mercado voluntário e o mercado regulado, criado por normas públicas. Já o mercado voluntário parte de iniciativas de foro íntimo das empresas, que veem a valorização dos seus produtos. Podemos citar alguns exemplos, como a Natura e o Rock in Rio”, lembra o profissional do INMET.

São várias alternativas, cada nação checa o que melhor precifica seu carbono, o que mais interessa. Há sempre um debate nas COPs em relação às metodologias. O Brasil hoje tem estruturado o seu mercado de carbono no Renovabio.

É importante ressaltar que o Brasil possui um mapa de estoque de carbono do solo até a profundidade de 30 centímetros. “Temos uma fotografia atual a respeito dessa distribuição”, ressaltou Daniel. “O agro quando bem conduzido tem capacidade de aumentar o estoque de carbono no solo e até rivalizar, por exemplo, com o estoque de carbono numa área florestal”.

A moderação do encontro virtual ficou a cargo do mediador criativo, Fabricio de Martino, enquanto a artista plástica, Milena Pagliacci, desenhou o mapa mental que ilustra a matéria.

Da redação com AGROLINK

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