Brasil busca diversificar pauta de exportações ao Oriente Médio

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, partiu para sua primeira viagem oficial ao Oriente Médio. Fará escalas no Egito, na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait, e leva na bagagem o desafio de tentar diversificar a pauta de exportações do agronegócio brasileiro na região, muito concentrada em carnes, sobretudo de frango. A missão comercial terá duração de dez dias.

Segundo o ministério da Agricultura, há potencial para o Brasil ampliar as vendas de carne bovina, grãos, farelo de soja, frutas e lácteos para a região. Apesar de os muçulmanos não consumirem carne suína por questões religiosas, até para esse produto há oportunidades – especificamente nos Emirados Árabes Unidos, em consequência do turismo e do mercado gastronômico desenvolvido de Dubai.

Atualmente, cerca de 40% das importações de carne de aves dos países do Oriente Médio são provenientes do Brasil, o que indica menos espaço para crescer nesse mercado, de acordo com um negociador do governo brasileiro – segundo ele, um embaixador árabe, em tom de brincadeira, disse “no more chicken” recentemente em uma reunião sobre perspectivas para esse comércio.

A BRF, maior exportadora de frango para a região, conta inclusive com uma planta em Abu Dhabi, nos Emirados, que o presidente do conselho da empresa, Pedro Parente, visitou em agosto. O governo brasileiro não descarta, no futuro, incentivar modelos de parceria para que outras empresas possam produzir em países da região. Até porque países como a Arábia Saudita, por exemplo, planejam incentivar o crescimento da indústrias locais de alimentos e reduzir as importações nas próximas décadas.

Ao Valor, Tereza Cristina confirmou que, em duas reuniões recentes, o ministro saudita da Agricultura foi categórico: no caso da carne de frango, seu país não quer comprar volume superior a 450 mil toneladas por ano do Brasil, para abrir espaço à produção doméstica. Segundo a ministra, os sauditas demonstraram interesse em desenvolver outras etapas do processo de produção halal.

No Egito, a comitiva do Ministério da Agricultura também espera tratar da decisão do país de deixar de comprar carne de frango de todos os seus fornecedores, incluindo o Brasil. Em 2018, as exportações agropecuárias brasileiros a 22 países árabes e integrantes da Organização para a Cooperação Islâmica (55 nações no total) somaram US$ 16,1 bilhões, ou quase 20% da receita total dos embarques do agronegócio brasileiro.

Daí porque Tereza Cristina há tempos queria visitar a região. Sobretudo depois das rusgas provocadas pela insistência inicial do governo de Jair Bolsonaro de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, o que seria um sinal político negativo para a maior parte dos países árabes. A embaixada não foi transferida e a poeira baixou, mas gestos de boa vontade são sempre bem recebidos.

Fonte: Avisite

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