No AC, ministro do Meio Ambiente vê esgoto sendo despejado em rio e defende investimento em saneamento

O ministro do Meio Ambiente Ricardo Sales cumpre agenda no Acre nesta quinta-feira (27). Salles chegou ao estado por volta das 10h30 em Rio Branco, capital, onde foi recepcionado por representantes do governo. Ele também cumpre agenda nos municípios de Cruzeiro do Sul, Xapuri, terra do líder seringueiro Chico Mendes, e Brasiléia.

Em Rio Branco, o ministro visitou um dos pontos em que o esgoto é despejado direto no Rio Acre sem nenhum tratamento. Falou sobre um estudo para que sejam feitos investimentos na questão ambiental urbana, tema, que segundo ele, estava esquecido.

Salles registrou a situação do esgoto em fotos e vídeos. “E teve aqui uma representante, que se diz o grande ícone da defesa do meio ambiente, que deixou o estado nessa situação vergonhosa que nós estamos assistindo aqui, um esgoto que cai direto dentro de um rio”, afirmou.

Em relação a investimentos, ele falou que já existe uma conversa com o governo estadual para a liberação de recursos.

“A prioridade do ministério é a agenda de qualidade ambiental urbana, o grande problema do Brasil está nas cidades. O que vemos no córrego da maternidade é um exemplo claro que o povo sofre com a falta de saneamento, má gestão do lixo e com problemas de contaminação do solo”, disse.

Ministro rebate declaração de Merkel sobre o desmatamento

Em uma rápida conversa com os jornalistas, o ministro rebateu a declaração da chanceler alemã, Angela Merkel, que disse, em uma sessão no Parlamento alemão, nesta quarta (26), que vê com grande preocupação a questão das ações do Brasil relacionadas ao desmatamento. Ela falou que percebe “como dramático o que está acontecendo no Brasil”.

Em resposta, Sales afirmou que o preocupação de Merkel não “parece ser ser muito fundamentada”. O ministro disse que o Brasil continua sendo o país que mais preserva o meio ambiente no mundo.

“É exemplo [Brasil], portanto, para os outros países de um grande trabalho que tem feito, inclusive aqui no estado do Acre”, afirmou.

Estudos sobre o Rio Acre

O ministro estava acompanhado do governador do Acre, Gladson Cameli, e alguns gestores estaduais que tratam do tema meio ambiente. O governo do estado destacou que a visita do ministro é de grande importância devido a necessidade urgente de que sejam feitos estudos sobre os fenômenos que vêm ocorrendo no Rio Acre.

O foco seria um estudo sobre a possibilidade de que o leito do rio seja desviado para evitar alagações no Centro da cidade.

O ministro falou da importância de conhecer não só as questões urbanas mas também as relacionadas à floresta.

“Vai ser uma viagem que pretende ser muito esclarecedora e muito impactante em uma parceria do Executivo federal, estadual e o Legislativo. Vamos fazer todo um estudo aqui com o governador e já temos algumas ideias, sobretudo para a questão ambiental e urbana, que foi algo que foi esquecido durante muitos anos na agenda ambiental brasileira e que agora precisa avançar”, complementou.

Visita ao Vale Juruá

Ainda nesta quinta (27), o ministro visitou a segunda maior cidade do Acre, Cruzeiro do Sul, onde cumpriu duas agendas. Ele visitou um trecho da BR-364, de 200 quilômetros, que deve ligar os municípios de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima à cidade peruana de Pucallpa. Após isso, Salles ser reuniu na aldeia indígena Poyanawa com oito prefeitos do Consórcio do Vale do Juruá, Tarauacá e Envira.

Sobre a estrada, o ministro disse que a ligação é de extrema importância pro desenvolvimento da região. Segundo ele, além de permitir a exportação de produtos, a estrada vai trazer desenvolvimento e integração

“Como todas as lideranças aqui colocaram, é desejável a integração, é importante e o governo de Jair Bolsonaro apoia a decisão dos povos pelos caminhos que entendem mais apropriados. Essa é, portanto, uma medida que vamos apoiar”, confirmou.

Já o representante do povo Poyanawa, José Luiz, questionou os possíveis benefícios da estrada e disse que o projeto requer muita conversa e diálogo com todos os moradores da região, inclusive ribeirinhos, seringueiros, entre outros.

“Como vai controlar a estrada, a extração de madeira, o tráfico, não falo só de drogas. Quem vai dominar isso? Além de tudo, tem o sumiço e contaminação das nossas águas que pode acontecer. Acho que precisa, no momento, refletir sobre esse grande projeto. É antigo, eu mesmo reconheço porque tenho 40 anos e esse projeto tem mais de 50 anos, porque foi criado por outros países, outros governos que hoje nem estão mais”, questionou.

Ainda no Juruá, a comitiva ministerial participou do lançamento do programa “Qualidade do Ar em Áreas Urbanas”, oportunidade em que foram entregues medidores de fumaça. A ação é de responsabilidade do Ministério Público do Acre (MP-AC).

A comitiva, na sexta-feira (28), visita a comunidade extrativista que fica no Seringal Porangaba, na Reserva Chico Mendes, em, Xapuri e depois volta a Rio Branco.

Da Redação com informações do G1

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