As grandes empresas estrangeiras do agronegócio nacional

Como faz há 14 anos, a revista Globo Rural publica um anuário do agronegócio com o ranking das “500 maiores empresas do agro”. Aproveita para mais: premiar as melhores em 20 setores diferentes, expondo fotos e artigos de seus principais executivos. Com isso amealha boa inserção publicitária.
Reconheço ser um trabalho de fôlego da equipe da revista que tem seu complemento no ótimo programa dominical na TV Globo.

São comparados receita líquida, rentabilidade, ativos, giro, margem, liquidez corrente, entre outros indicadores econômicos e financeiros. Sabem o que isso representa para medir a sanidade das empresas contadores, economistas, administradores e, hoje em dia, uns poucos jornalistas.

Confesso que em finada era executiva costumava debruçar-me mais sobre tais números e comparativos. Principalmente, nos que afetavam os setores e as empresas em que estive empregado.

Não mais. Acabou o tesão, como quer e professa a senhora pastora Damares Alves, futura capitã do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Ela diz vir para “defender a vida”. Não informou de quem e nem se pós-morte.

Mas, em forma e conteúdo, o Anuário é bem-vindo e traz dados interessantes.

Em 2017, as 500 maiores empresas do agro registraram receita de 725,5 bilhões de reais, um aumento de 34,2% sobre 2013, o que significou uma taxa anual de crescimento de 6%. Por óbvio, acima do PIB nacional.

O intervalo entre a empresa número 1, a Cargill, com origem do capital nos EUA, para as 20 últimas nacionais que se espremem para não cair na Série B, varia entre 34,2 bilhões de reais e, em média, 60 milhões de reais. Diferença abissal considerando a fatia da amostragem.

Se tomarmos, entre as 500, as 50 maiores (10%), chegamos a uma receita líquida de 491 bilhões e reais (68%), uma concentração brutal, pois. Destas, 54% tem capital com origem em países do exterior, e majoritariamente estão nos segmentos da indústria de soja, óleos e tradings, complexo de carnes, distribuição de alimentos e bebidas, fertilizantes e agrotóxicos (de agora em diante, com Tereza Cristina, apelidados de defensivos).

Por Carta Capital. 

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