Soja: Mercado trabalha em alta na CBOT nesta 2ª feira(29) e busca se recuperar das últimas baixas

O mercado da soja trabalha em alta na manhã desta segunda-feira (29) na Bolsa de Chicago. Os futuros da commodity subiam entre 5,75 e 6,50 pontos nos principais contratos, por volta de 7h30 (horário de Brasília), e o novembro/18 tinha US$ 8,50 por bushel. Servindo como referência para os negócios da nova safra do Brasil, o maio/19 tinha US$ 8,91.

Segundo explicam analistas e consultores internacionias, o mercado dá início à semana na busca de uma recuperação, após terminar a anterior acumulando uma baixa de mais de 1% entre seus contratos mais negociados.

Apesar disso, pode continuar sentidno a pressão da evolução da colheita nos Estados Unidos, uma vez que o clima favoreceu os trabalhos de campo no Meio-Oeste americano nestes últimos dias, o que poderia ser confirmando pelo reporte semanal de acompanhamento de safras que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz no final do dia.

As atenções, porém, ainda estão voltadas também para alguns pontos do Corn Belt que seguiram recebendo chuvas e até neve na última semana.

Ainda no radar dos traders também permanecem os desdobramentos da guerra comercial com a China, o avanço do plantio no Brasil e o andamento do dólar.

No Brasil, são esperadas novas baixas do dólar com a vitória de Jair Bolsonaro para a presidência da República, o que poderia provocar mais pressão sobre as cotações da soja nacional.

 

Desde o 1º turno das eleições presidenciais no Brasil, o dólar já acumula, segundo levantamento da agência de notícias Reutrs, uma baixa de mais de 5% e o impacto sobre os preços da soja no mercado brasileiro foi imediato e tem se mostrado bastante severo. Somente nesta sexta-feira (26), a moeda norte-americana recuou mais de 1% e fechou o dia valendo R$ 3,65, menor valor em cinco meses.

“O mercado olha que não dá tempo de Haddad tirar a quantidade de votos necessária para vencer”, comentou o economista-chefe do Banco Confidence, Robério Costa à Reuters, ao destacar que a pesquisa Datafolha, entretanto, pesou negativamente no início do negócios, quando o dólar chegou a subir.

Assim, a pressão sobre os preços da soja nos portos do Brasil é ainda intensa. Em Rio Grande, a soja disponível perdeu, na semana, 3,21% para R$ 87,50 por saca, enquanto a baixa na referência novembro/18 foi de 3,59% para R$ 88,50. Em Paranguá, o spot perdeu 2,76% e foi a R$ 88,00, enquanto a safra nova fechou a semana com baixa de 3,75% valendo R$ 77,00 por saca.

As baixas – que também se estenderam pelo interior do Brasil, afastaram ainda mais os vendedores nestes últimos dias e o mercado teve uma semana bastante vazia de novos negócios.

“Uma paradeira geral devido às eleições no domingo. E enquanto isso, os produtores estão mais interessados em plantar do que em negociar”, explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. E os negócios para a nova safra são ainda mais escassos.

Além disso, “os compradores recuaram nos indicativos, apoiados pelo dólar fraco, Chicago em baixa e a falta de notícias novas em semana de eleições”, completa o executivo.

De acordo com números da AgRural, o plantio no Brasil se desenvolve ainda em ritmo recorde nesta temporada, com as condições climáticas colaborando e quem lidera os trabalhos de campo continua sendo o Centro-Oeste do país. Segundo a consultoria, 46% da área estimada já foi semeada. O avanço semanal foi de 12% e o total fica a frente do ano passado, de 30%, e da média de 28%.

A projeção da AgRural é de que a colheita de soja 2018/19 do Brasil alcance 120,3 milhões de toneladas. E apesar dos preços mais baixos neste momento, as perspectivas para o produto brasileiro são ainda favoráveis, uma vez que no horizonte, ao menos no médio prazo, há a possibilidade de uma recuperação das cotações no mercado internacional – principalmente com uma possível redução de área nos EUA na próxima safra – algum novo rally do dólar e a demanda muito intensa pela soja brasileira que continua e deve manter sua força de crescimento.

Bolsa de Chicago

A queda nos preços da soja no mercado brasileiro não foi motivada só pela baixa do dólar, mas também pelas perdas acumuladas pelos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago de mais de 1%. Apesar das altas registradas nesta sexta-feira (26) de pouco mais de 3 pontos, o contrato novembro/18 recuou 1,29% para US$ 8,45, enquanto o maio/19 foi a US$ 8,84, com queda acumulada de 1,45%.

Segundo explicou o analista de mercado Aedson Pereira, da Informa Economics FNP, as pequenas altas observadas neste pregão tiveram um caráter mais técnico e não indica uma mudança de tendência para as cotações. A pressão dos fundamentos, afinal, continua. A colheita avança no Meio-Oeste americano e os EUA devem colher sua maior safra de soja da história. Enquanto isso, ainda segundo o executivo, os estoques norte-americanos também acabam atuando como um limitador para os futuros da commodity.

Ainda assim, Pereira acredita que o piso para os preços da soja estariam perto de algo entre US$ 8,15 e US$ 8,20 por bushel. “Acho difícil a soja romper este patamar por conta de alguns fundamentos, como o forte ritmo de esmagamento de soja nos EUA”, disse.

Além disso,o analista lembra ainda que outros compradores extra China continuam buscando a soja norte-americana, que está mais barata neste momento e atrai estes outros importadores. Entretanto, afirma ainda que “é difícil encontrar um substituto para a China”.

Nesta última semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), em seu boletim semanal, mostrou que a China segue ausente no mercado americano de soja e segue de olho nos fornecedores alternativos para atender suas necessidades. Os chineses já estariam, inclusive, à espera da nova safra brasileira diante da possibilidade de uma antecipação da colheita brasileira este ano.

A agência internacional de notícias Bloomberg informou que o governo Trump não tem planos, por enquanto, par estender o auxílio aos produtores norte-americanos em 2019 em meio ao embate comercial entre China e Estados Unidos.

Segundo o secretário de agricultura norte-americano Sonny Perdue, essa falta de novas ações se dá diante da confiança do governo na recuperação do mercado mesmo com a continuidade da guerra comercial. Em julho, Washington anunciou um pacote de medidas de auxílio aos agricultores de US$ 12 bilhões.

Enquanto China e Estados Unidos não se acertam, o Brasil continua vendendo soja para a nação asiática e construindo perspectivas de uma demanda ainda consistente para o ano que vem. Para 2018, segundo uma perspectiva da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), as exportações brasileiras da oleaginosa podem superar as perspectivas da indústria nacional, de 77 milhões de toneladas. No entanto, no acumulado deste ano, o Brasil já embarcou 73 milhões de toneladas do grão.

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