Bayer defende fusão com Monsanto no Brasil

A entrada de empresas de tecnologia no setor agrícola vai garantir concorrência apesar da fusão entre Bayer e Monsanto, afirma Liam Condon, membro do Conselho de Administração e presidente da divisão agrícola da empresa alemã.

Foto: Folha de São Paulo

O executivo defende que a união entre as gigantes agrícolas –a Bayer, que atua no setor de insumos agrícolas, como pesticidas, e a Monsanto, empresa americana de sementes– não vai gerar redução da competição. A compra foi anunciada em 2016 por US$ 66 bilhões.

O executivo diz que a entrada na agricultura de empresas de tecnologia, como Google, Bosch e start-ups, é subestimada.

“Há uma nova competição surgindo que as pessoas ainda não percebem muito, mas nós sim. Não temo que haja falta de concorrência, minha preocupação é que a Bayer ainda esteja por aqui daqui a dez anos.”

A fusão está prevista para o início de 2018. “Há um pouco de sobreposição na área de sementes, e autoridades regulatórias dirão o que teremos que alienar e, uma vez que eliminemos isso, não vemos redução de concorrência”, diz Condon.

Em outubro, a Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) recomendou que a fusão fosse impugnada pelo tribunal do órgão, que tem até março para decidir.

A nova empresa poderá dominar mais de um quarto do mercado mundial de sementes e pesticidas. Segundo o Cade, a fusão “pode determinar as condições de acesso à biotecnologia e do risco de adoção de práticas comerciais que dificultem o desenvolvimento de concorrentes”.

Para Condon, mesmo após a fusão, a tecnologia será acessível para pequenos produtores. “Tudo o que fazemos é baseado em gerar mais inovação que nossos competidores para que os agricultores tenham incentivo para usar nossos produtos”, diz.

Em 2016, a divisão agrícola da Bayer investiu € 1,2 bilhão (11,7% das vendas globais) em pesquisa e desenvolvimento.

Ele afirmou ainda que a marca Monsanto é uma preocupação, pois carrega uma imagem negativa entre os consumidores, e que a fusão terá que contornar isso.

Brasil e EUA

Condon também avaliou a situação do Brasil, que, ao lado dos Estados Unidos, forma os dois maiores mercados estratégicos da Bayer.

O executivo afirmou haver “uma crescente desconexão entre a instabilidade política e a economia” –enquanto a crise política perdura no Brasil, a economia “parece ir razoavelmente bem”.

Condon diz que o mercado brasileiro tem sido volátil, inclusive pelo clima tropical, mas há razões para acreditar no crescimento e investir a longo prazo.

“O que percebemos nesses tempos é que a recessão está sendo bastante dura para a economia no geral, mas a agricultura ainda tem uma performance razoavelmente boa”, afirma o executivo.

Ainda assim, o fraco desempenho no país fez com que a Bayer revisse a expectativa de faturamento da divisão agrícola para menos de € 10 bilhões em 2017 –queda de 5% ante a previsão anterior.

A seca e a diminuição da pressão de pragas levaram a uma queda na demanda por pesticidas e fungicidas.

Por Folha de São Paulo

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