Mudanças tecnológicas transformam o perfil de trabalhadores nas refinarias de etanol

 

As mudanças tecnológicas pelas quais tem passado o setor sucroenergético brasileiro nos últimos anos, tais como a substituição do plantio e da colheita manual pela mecanizada e a produção de etanol de segunda geração (2G) – obtido da palha e do bagaço da cana-de-açúcar -, tem modificado o perfil de trabalhadores atuantes nas refinarias de etanol.

Apesar de as novas tecnologias agrícolas e industriais terem contribuído para a diminuição do número de trabalhadores no setor, por outro lado elas têm dado origem a um novo perfil de profissional, mais escolarizado, melhor remunerado e menos suscetível a acidentes ocupacionais.

As constatações são de um estudo realizado por pesquisadores do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) do Centro Nacional de Pesquisa em Engenharia e Materiais (CNPEM).

Os resultados do estudo foram publicados no International Journal of Life Cycle Assessment e apresentados na Brazilian BioEnergy Science and Technology Conference (BBEST) 2017, em Campos do Jordão.

Promovido pelo Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), o evento reúne até a próxima quinta-feira (19/10) pesquisadores do Brasil e do exterior com o objetivo de discutir os avanços na pesquisa em bioenergia.

Constatamos que ocorreu uma diminuição do número de trabalhadores necessários para produzir etanol, mas, em contrapartida, houve uma melhora nas faixas salariais e aumentou a participação de trabalhadores com maior nível de escolaridade no setor”, disse Alexandre Souza, pesquisador do CTBE, à Agência FAPESP.

Souza e colegas avaliaram os impactos sociais das mudanças tecnológicas no setor sucroalcooleiro por meio de uma ferramenta de simulação computacional desenvolvida pelo CTBE, denominada Biorrefinaria Virtual de Cana-de-Açúcar (BVC), que possibilita prever a integração de novas tecnologias à cadeia produtiva de cana-de-açúcar e de outras biomassas nas fases agrícola, industrial e comercial.

A ferramenta tem um programa, CanaSoft, que simula atividades agrícolas por meio da incorporação de parâmetros como tipos de colheita e plantio, etapas de transporte, operações agrícolas, maquinários, implementos, agroquímicos, fertilizantes e a quantidade de horas de trabalho necessárias para a produção de etanol.

Com base nessa ferramenta e em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), fornecidos por usinas ao Ministério do Trabalho, além de dados estatísticos da Previdência Social, os pesquisadores avaliaram os efeitos das mudanças tecnológicas agrícolas e industriais na criação de empregos, acidentes de trabalho e nos perfis salariais e educacionais em três cenários de produção de etanol.

O primeiro cenário é caracterizado pela produção de etanol de primeira geração (1G) com tecnologia mais defasada, com plantio semimecanizado e colheita manual, que apesar de ter sido abolida em quase 90% dos canaviais no Estado de São Paulo, ainda ocorre no Nordeste e em áreas onde a operação de colheita mecanizada é limitada em razão da inclinação do terreno.

Com informações do portal do Agronegócio.

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