O avanço do cultivo do trigo no Cerrado

Deodato Matias Junior é engenheiro agrônomo da Biotrigo Genética

A cultura do trigo vem sendo uma ótima alternativa para os produtores do Cerrado. Além de proporcionar rentabilidade, a cultura permite a implantação de um sistema sustentável. O cultivo de trigo nas regiões quentes vem crescendo nos últimos anos, especialmente para as semeaduras em sequeiro. Em 2017 mais de 120 mil ha de trigo foram semeados no Brasil Central (Minas Gerais, Distrito Federal e municípios goianos do entorno).

Este avanço é graças ao ganho tecnológico em manejo e a cultivares adaptadas com maior nível de resistência a doenças de difícil controle, como a Brusone. A rotação de culturas é muito importante em todas as regiões e, no Cerrado, não é diferente. O trigo entra como opção proporcionando uma maior cobertura de palha, além da possibilidade de diversificação no uso de princípios ativos utilizados no controle de ervas daninhas, pragas e doenças.

O trigo produzido nessas regiões mais quentes também é reconhecido como de alta qualidade industrial, especialmente de cultivares de classe pão/melhorador. As condições climáticas locais, como a baixa ocorrência de chuvas na fase reprodutiva, desfavorecem a entrada de doenças (Giberela). Outra vantagem do trigo do Cerrado é o período de colheita, que acontece em uma janela onde normalmente os moinhos estão desabastecidos. Como a sua época de semeadura é antecipada comparado com as principais regiões produtoras da América do Sul, torna a produção mais competitiva no mercado. Além disso, estão mais próximos dos grandes centros consumidores, especialmente no caso de Minas Gerais.

Nestas regiões, o trigo vem sendo produzido em sistema irrigado e em sequeiro. Nas áreas de irrigação, o crescimento de área é mais lento devido à grande competitividade com culturas de maior valor agregado. No entanto, a produtividade chama a atenção. É muito comum colher mais de 100 sacas por hectare no sistema irrigado, produtividade considerada uma das mais altas para a cultura no país.

Já o trigo de sequeiro vem ganhando espaço importante, devido ao grande número de áreas ociosas nesta região. Além de todos os benefícios agronômicos, dá a oportunidade de buscar uma maior rentabilidade, pois os custos são mais baixos. O desafio fica por conta do período de semeadura, que é antecipado para na maior parte das áreas o mês de março. Nesta época se aproveita a umidade do final da janela das chuvas que historicamente encerra em abril, porém, com condições perfeitas para a ocorrência de uma das doenças mais agressivas da cultura do trigo, a Brusone.

A pesquisa está avançando e alguns programas de melhoramento vem trazendo opções mais seguras com relação ao nível de resistência a esta enfermidade. O importante no sistema de sequeiro é que o agricultor escolha cultivares que consigam enfrentar este desafio, trazendo a segurança de colher trigo em anos com ou sem epidemias, como vem ocorrendo nesta safra de trigo onde a genética está colaborando para trazer mais segurança aos triticultores do Cerrado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *