Irrigação: uma potência ociosa brasileira

Por Hulda Rode

O uso da água na agricultura irrigada mostra que o Brasil tem 6,95 milhões de hectares (Mha) que produzem alimentos utilizando diferentes técnicas de irrigação. Esse número faz com que o país ocupe lugar entre os dez países com a maior área irrigada do planeta, é o que aponta um estudo divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA).

Segundo o levantamento, a região que apresenta a maior extensão de área irrigada é o Sudeste, com 2.709.342 hectares, seguida na região Sul, 1.696.233, Centro-Oeste, 1.183.974 e Nordeste, 1.171.159. E por último, a região Norte, com 194.002.

A irrigação tem papel fundamental na agricultura, uma vez que contribui para a estabilidade e o aumento da oferta de alimentos, o que reduz o risco de insegurança alimentar e nutricional da população. Entre os alimentos que são produzidos sob alto percentual de irrigação estão tomate, arroz, pimentão, cebola, batata, alho, frutas e verduras.

No entanto, a potência para agricultura irrigada no Brasil pode chegar a 66 milhões de hectares de áreas aptas para a agricultura irrigada. A informação está em estudo feito pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ligada à Universidade de São Paulo (USP). Outra estimativa apontada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o potencial do país está abaixo de 60 milhões.

De acordo com o gerente geral da Rivulis Brasil, Friedhelm Voswinkel, a capacidade da área irrigada no Brasil se subdivide em três partes: alto potencial, médio potencial e baixo potencial, cerca de 33% de cada. A indústria da irrigação foca no desenvolvimento das áreas de potencial mais elevado, que são as áreas com maior qualidade de solo, água e infraestrutura. As outras 66% de área com potencial médio ou baixo, enfrentam problemas de solo, clima, falta de energia, falta de estradas, inexistência de recursos hídricos etc.

Friedhelm avalia que um dos fatores que impedem essa expansão está “relacionado com o baixo apoio financeiro aos produtores que pretendem implantar ou expandir seus negócios. Tal prática inibe o crescimento do PIB e o desenvolvimento de muitas regiões onde a produção agrícola só é viável com irrigação”.

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