A terra como fator de desenvolvimento social

Desde os tempos do Brasil colônia, Mato Grosso ocupa lugar estratégico quando se trata da ocupação de terras, quer para definir a fronteira com as colônias espanholas (século XVIII), quer para preencher vazios populacionais e garantir a soberania nacional, como se deu com a chamada “Marcha para o Oeste”, durante o governo Getúlio Vargas. Até então, a história da ocupação das terras no Brasil era baseada no latifúndio e as mudanças na estrutura agrária do país começaram nas décadas de 1950/60.

Mais recentemente, a estratégia incluiu o estímulo à migração de produtores rurais que enfrentavam crises no campo em outras regiões do país, movimento que resultou no surgimento de várias cidades na região Norte de Mato Grosso e na expansão da fronteira agrícola, transformando o estado no campeão de produção de grãos e carnes.

Inserem-se nesse contexto os assentamentos rurais, que começaram a surgir no estado no final da década de 1970, como é o caso do primeiro assentamento criado em parceria entre o Incra e a iniciativa privada em terras devolutas no então município de Colíder.

Em toda essa história, há inegáveis conflitos entre populações tradicionais, indígenas e trabalhadores sem-terra, além da ocupação ilegal de imensas áreas e da exploração irresponsável dos recursos naturais.

Naquela época, o estado recebeu um grande volume de recursos e programas especiais ((PIN, PROTERRA, POLOCENTRO, POLAMAZÔNIA e POLONOROESTE), que mais serviram aos grandes grupos econômicos do que propriamente ao trabalhador rural.

Mas quero centrar atenção na reforma agrária. As primeiras terras desapropriadas no Estado com essa finalidade foram na década de 1980. O Incra, criado em 1970, chegou a ter sob seu domínio 60% das terras no Estado. Nos anos seguintes, promoveu a distribuição dessas terras, para colonização oficial ou particular, atendendo a estratégia de ocupação da região amazônica.

Cidades inteiras surgiram como resultado dessa ação. Vou citar o

exemplo de Lucas do Rio Verde. Os primeiros colonizadores chegaram na segunda metade da década de 1970, durante a abertura da BR-163 (que liga Cuiabá a Santarém). O projeto de assentamento do Incra trouxe para a região 203 famílias de sem-terra do Rio Grande do Sul, que ocuparam lotes de 200 hectares. Com o passar dos anos, essas famílias deram origem ao núcleo urbano, que hoje se transformou em uma das melhores cidades do País para se viver e investir.

Durante décadas, a ocupação de terras por famílias de trabalhadores rurais registrou avanços, mas nem todas as experiências tiveram resultados positivos como é o caso de Lucas do Rio Verde. No começo desta década, haviam sido implantados centenas de projetos de assentamentos rurais em Mato Grosso e, pelos cálculos de hoje, existem pelo menos 100 mil famílias morando no campo.

 

Wellington Fagundes é senador da República

 

Com informações do Olhar Direto. 

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