Novo estudo disseca o impacto climático da pecuária

Os principais argumentos são que as terras sobre as quais os animais pastam também contêm grandes reservas de carbono e que as ações de pastoreio de animais podem ajudar a reduzir as emissões de dióxido de carbono através do “seqüestro de carbono no solo”. Inspirados por ideias sobre o “gerenciamento holístico do pasto” defendidas por Allan Savory, entre outros, alguns defensores de sistemas alimentados com pasto ainda argumentam que pastorear bem os bovinos pode levar a um seqüestro de carbono alto o suficiente para compensar todas as outras emissões de ruminantes e, assim, resolver os problemas climáticos.

Para responder a esta questão, um time internacional de cientistas trabalhou durante dois anos, analisando argumentos e contra-argumentos à luz da melhor ciência para chegar a uma resposta autorizada e baseada em evidências para a questão do papel do pasto na produção de carne. Os resultados são conclusivos: a contribuição potencial dos ruminantes alimentados com pasto para o seqüestro de carbono do solo é pequena, limitada no tempo, reversível e substancialmente ultrapassada pelas emissões de gases de efeito estufa que elas geram.

Os ruminantes (tanto em pastejo quanto em outros sistemas de produção) contribuem com 80% das emissões totais de gado – as quais, por sua vez, somam 14,5% de todos os gases de efeito estufa produzidos pela atividade humana. O manejo do pasto poderia potencialmente, e mediante premissas muito generosas, compensar entre 20 a 60% das emissões médias anuais da própria pecuária alimentada com pastagem, ou seja, algo entre 4-11% das emissões totais de gado e entre 0,6 e 1,6% das emissões anuais totais produzidas pela atividade humana, para o qual, naturalmente, outros animais contribuem. Embora o pastoreio de gado tenha um papel benéfico a desempenhar em alguns contextos, e uma melhor gestão do pasto seja um objetivo que vale a pena, quando se trata de mitigação do clima, sua potencial contribuição é menor.

“Este relatório conclui que o gado com pastagem não é uma solução climática. O manejo de gado agrava o problema climático, assim como a criação de outros animais”, destaca a Dr. Tara Garnett, outra autora principal do estudo. “O aumento da produção e consumo de animais, seja qual for o sistema de criação e o tipo de animal, está causando a liberação prejudicial de gases de efeito estufa e contribuindo para mudanças no uso da terra.”

Com informações do Portal do Agronegócio. 

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