Preço da arroba do boi cai, e mercado está receoso

O mercado de carne está muito receoso, o que tem aumentado a diferença entre os preços mínimos e máximos da arroba de boi gordo.

Quem não tem necessidade de compra tenta derrubar o valor da arroba do boi. Já quem tem uma escala curta de animais paga mais caro.

“Há uma grande amplitude entre os preços mínimo e máximo”, diz Mariane Crespolini, pesquisadora do Cepea (Centro de Estudos e Pesquisa em Economia Aplicada).

Além do receio do que vai acontecer com a JBS, o mercado vive um momento de menor demanda —o que ocorre quando o final de mês está próximo. Nesse período, encurta a renda do consumidor.

Um outro fator que pesa é que a oferta de bois vem aumentando em relação ao patamar de agosto. A proximidade do final de mês, a nova crise da JBS e a oferta maior de bois são fatores que levam os compradores a reduzir o preço da arroba.

No dia 8 deste mês, a arroba de boi era negociada a R$ 145,84. Nesta terça-feira (19), foi comercializada a R$ 141,60, conforme acompanhamento de preços do Cepea.

Para Crespolini, há ainda uma incerteza dos frigoríficos quanto às vendas nas próximas semanas. Eles temem pagar pela arroba de boi gordo mais do que poderão repassar para os consumidores internos.

“Não há uma parada do mercado, mas se está comprando apenas o necessário”, diz a pesquisadora. “É uma estratégia dos frigoríficos.”

“É moda o comprador dizer que não está comprando”, segundo Crespolini. Na verdade, ele quer pressionar os preços, uma vez que a arroba vinha subindo.

Já o pecuarista também está preocupado com as oscilações do mercado. Houve um freio na recuperação dos preços da arroba de boi em um período em que os custos estão mais elevados no cocho.

Este é mais um período de sobressalto no setor de carnes, que já passou pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, pela Operação Carne Fria, pela delação premiada dos donos da JBS, por geadas e, mais recentemente, pela prisão dos irmãos Batista.

Mas uma coisa vai bem, segundo a pesquisadora do Cepea: as exportações. Os dados desta segunda-feira (18) da Secex mostram que as vendas externas deste mês estão superando em 9% as de agosto.

Por Folha de S. Paulo.

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