Software permite identificar espécies da fauna por pelos

 

Já foi disponibilizado pela Embrapa Pantanal o software Fauna Online: Tricologia, um sistema que permite identificar animais da fauna brasileira por meio de pelos. Tricologia é o ramo da ciência que estuda os pelos de mamíferos, bem como os problemas relacionados a eles. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) e Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Fauna Online é o primeiro programa com essa finalidade disponível para consulta online e foi registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

A inovação foi divulgada nesta terça-feira, 5 de setembro, com a publicação “Software Fauna Online: módulo tricologia” pela Embrapa Pantanal (MS). Uma das autoras, a zootecnista Gisele Aparecida Felix, explica que a identificação de espécies é aplicável no controle da qualidade de alimentos destinados ao consumo humano e para apoiar laudos forenses. “Cientificamente, a identificação tricológica é bastante significativa para pesquisas taxonômicas, ecológicas, paleontológicas, arqueológicas, levantamento de mamíferos de determinada área, avaliação da dieta de carnívoros, averiguação de predação em animais domésticos e caracterização racial”, afirmou Gisele.

O trabalho também tem como autores o pesquisador Ubiratan Piovezan e o analista Cláudio Pereira Flores, da Embrapa Pantanal; a bióloga Juliana Quadros, professora da UFPR; e a professora Maria Clorinda Soares Fioravanti, professora da UFG.

O software ainda funciona em caráter experimental. A base de dados prevê o acesso a características de aproximadamente 70 animais, mas nem todos estão disponíveis nessa fase inicial. O usuário deve informar características dos pelos previamente definidas e percorrer um caminho que chega à identificação da espécie. Toda a metodologia está descrita na publicação, que pode ser acessada aqui.

Para utilizar o programa, o interessado deve ter acesso à internet, fazer a coleta e preparação de pelos guarda de mamíferos para identificação em microscopia ótica e ter disponível um microscópio para análise do pelo. Pelos guarda são aqueles que apresentam ao longo de seu comprimento duas porções principais: a haste (ou talo, que é a parte livre que sai sobre a pele) e o escudo (parte mais dilatada do pelo que se encontra na extremidade oposta à raiz). A haste é a porção que se segue ao bulbo (parte mais profunda da raiz localizada abaixo da pele) do pelo e o escudo é a parte que fica entre a haste e a extremidade distal do pelo.

Os pelos estão presentes na pelagem de todos os mamíferos. Essas estruturas podem ser divididas em duas grandes categorias: os pelos guarda e os subpelos. Os pelos guarda, que são utilizados na tricologia para identificação das espécies e raças, apresentam na pelagem função mecanorreceptora (sensorial) e os subpelos contribuem para a termorregulação do corpo e proteção contra a penetração de água. Na grande maioria dos casos os subpelos são inúteis na identificação de amostras desconhecidas, pois são semelhantes entre espécies diferentes.

De acordo com Gisele, o programa conta com uma interface que possui fotos de pelos guarda, com cada característica destacada para identificação. Por enquanto, o software pode ser acessado aqui, mas em breve ele estará mais completo e poderá ser acessado também pelos portais das duas universidades.

Com informações da Embrapa.

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